sábado, 30 de julho de 2011

Bahia e África: conexões culturais


De acordo com a Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, adotada em 20 de outubro de 2005 pela Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura, e ratificada pelo Brasil por meio do Decreto Legislativo 485/2006, diversidade cultural refere-se à multiplicidade de formas pelas quais as culturas dos grupos e sociedades encontram sua expressão.

Falar em diversidade cultural remete diretamente ao Brasil. E dentre as capitais brasileiras que mais se destacam neste sentido, está, sem dúvida, Salvador. A capital baiana tem um trunfo que nenhuma outra cidade brasileira tem: suas conexões explícitas com a África, na comida, dança, música e fé.
Baianas na Praça da Sé, Centro Histórico de Salvador



Olodum no Carnaval de Salvador. Foto: Agnaldo Novais/Agecom
Com 80% da população negra, a cidade é no mundo uma das que mais preservam as cores e sons do continente de seus ancestrais escravos. Ao mesmo tempo, não deixa de renovar suas crenças diariamente, como pode ser visto no sincretismo da religião, em terreiros ou igrejas, na capoeira e na simpatia das baianas.

O turista que aqui chega logo se encanta. Nas ladeiras do Pelourinho, no Rio Vermelho de Jorge Amado, na Cidade Baixa dos traços sem pudor de Carybé, na Itapuã de Caymmi e nos tambores africanos que ressoam no Carnaval e nos mais de 200 terreiros de candomblé da cidade.

Ladeiras do Pelourinho no Centro Histórico de Salvador

Artesanato do distrito de Maragogipinho no Recôncavo Baiano
E com a aproximação da Copa do Mundo de 2014, o turista que aqui chegar irá se deparar com esses e outros atrativos ligados à cultura afro-baiana, como a culinária e o artesanato. Uma dica, por exemplo, é ir visitar o Instituto Mauá, no Pelourinho, por que tem todo tipo de peças feitas por artesãos do Estado. Dá pra encontrar desde simples colares e enfeites, até grandes móveis e espelhos.


E quando bater aquela vontade de sentir o “gostinho” da África Bahia, Salvador tem boas opções, que unem gastronomia e cultura ao mesmo tempo, como o restaurante Coliseu, também no Pelô, onde tem apresentação de dançarinos com coreografias que enfatizam as danças dos orixás e outras manifestações, como puxada de rede e samba de roda do Recôncavo Baiano.


Veja mais vídeos sobre a diversidade da cultura popular da Bahia.




Mais imagens da Bahia



E o carnaval

sábado, 18 de dezembro de 2010

As festas populares sob a ótica de uma nova geração


Para mostrar um outro olhar sobre 17 tradicionais eventos culturais da capital baiana, jovens da Escola Oi Kabum! criaram a exposição multimídia Festas Populares de Salvador.

O trabalho de fotos e vídeo, desempenhado por 30 pessoas entre jovens e profissionais, narra um recorte de como as festas populares - conhecidas também como 'festas de largo' - acontecem e de como elas podem ser reinventadas no imaginário coletivo.

A linguagem multifacetária, com o uso de suportes contemporâneos dá conta de traduzir este universo simbólico e colorido, que resulta em uma mostra interativa, cujas projeções são acionadas por sensores, convidando o visitante a participar da iniciativa.

"A gente viu que as festas populares estão vivas, vibrantes e cada vez maiores. A ideia foi lançar um novo olhar que nos aproxime mais delas”, afirma Elza Abreu, coordenadora pedagógica da Oi Kabum! e uma das curadoras da exposição.



O projeto


Para disseminar esta experiência, foram distribuídos 1.000 kits para instituições de ensino públicas e projetos sociais, com uma Coletânea Multimídia, um vídeodocumentário de 52 minutos e um fotoclipe, acompanhados por três Almanaques organizados a partir das festas, e um Guia do Educador. "A proposta da coletânea é que este trabalho seja usado para discussão nas escolas públicas e particulares", ressalta Elza.

A iniciativa do projeto reforça a aplicação da Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino, nas escolas, de história e cultura africana, das tradições afro-brasileiras. Uma forma importante também de entender o sincretismo religioso, conforme afirma Nadson , durante visita à exposição.

O trabalho foi coordenado pelo Núcleo de Produção da Oi Kabum! Salvador, Escola de Arte e Tecnologia do Oi Futuro, em parceria com a Organização Não-Governamental Cipó – Comunicação Interativa, professores e educadores para a utilização do material em suas aulas. A coordenação da pesquisa e a elaboração dos textos dos Almanaques são assinadas pelo historiador Frede Abreu que introduz um olhar antropológico e sociológico a estas festas populares. Veja depoimento de Vaguiner Braz, assistente de pesquisa e um dos artistas responsável pelos seus trabalhos.


Realização

“Apoiar o trabalho de instituições que atuam com cultura e arte como vetor de transformação, dando visibilidade ao resultado dos seus projetos, é uma ação de grande relevância que a Diretoria de Museus (Dimus) abraça com a realização desta mostra”, afirma Daniel Rangel, Diretor de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), responsável pela Galeria do Palácio Rio Branco, um dos locais que abriga a exposição.

O aspecto da compreensão das raízes, importante para a construção do processo identitário, é o fio condutor da narrativa, segundo Isabel Gouvêa, coordenadora da Oi Kabum! Salvador e idealizadora do projeto.

As Festas

O projeto Festas Populares de Salvador foi desenvolvido de dezembro de 2009 a setembro de 2010 e registrou as histórias de personagens que mantém vivas estas celebrações distribuídas ao longo do calendário anual de festas, aberto por Santa Bárbara, passando pela Conceição da Praia, Santa Luzia, Boa Viagem, Lapinha, Bonfim, Ribeira, São Lázaro, Iemanjá, pelo Carnaval - com o desfile dos afoxés e blocos afro tais como o Ilê Aiyê, Filhos de Gandhi e Olodum-, pelos festejos juninos, Cortejo de 2 de Julho, São Roque e, por fim, Cosme e Damião.


O contraponto

Apesar da forte tradição das festas e dos cultos religiosos, Clarindo Silva, personagem expressivo do Pelourinho e representante da comunidade, pontua que estas celebrações estão sendo reconfiguradas ao longo dos anos. Segundo ele, a violência tem sido um dos fatores que tem contribuído para esvaziar estas celebrações. “É necessário revitalizar as 'artérias', que são ladeiras e ruas da cidade, pelos quais as pessoas transitam enchendo de vida estas festas”, adverte.

Em alguns casos, as opiniões se dividem quanto do assunto são as manifestações da cultura popular de Salvador. Veja o que dizem duas trabalhadoras do Centro Antigo, a trançadeira Ana Moçambique e a Baiana Bela.

SERVIÇO:

O que: Exposição “Festas Populares de Salvador”

Quando: Até 13 de fevereiro de 2010

Onde: Galeria Solar Ferrão – Rua Gregório de Mattos, 45, Pelourinho – Tel: 71 3117-6357 Galeria Oi Kabum! – Terreiro de Jesus, 17, Pelourinho – Tel: 71 3345-5657

Visitas: Galeria Solar Ferrão, de segunda à sexta, das 10h às 18h, sábados, domingos e nos feriados, das 13h às 17h

Entrada franca